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Ex Corde: Dois Anos! |
15 NOVEMBRO 2007* |
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Sobre o editor: Gilson Santos é pastor evangélico batista. Para maiores informações, acesse alguns links. Você também pode ler e inserir comentários sobre este site. Segundo Aniversário Ex Corde completa hoje dois anos. O meu muito obrigado a todos os leitores e amigos. O número de acessos cresceu de uma forma que muito me surpreendeu, com alguns textos sendo repassados de “mão em mão”. Vários amigos, bondosamente, têm recomendado o conteúdo aqui publicado, apontando links em seus espaços na Internet. Originalmente a intenção era publicar um blog, com textos de opiniões pessoais. Dei-lhe no início o nome de “Ex Corde”, expressão latina que significa “do coração”, e no passado muito utilizada no fecho de cartas dirigidas a pessoas íntimas. Decorridos dois anos, percebo, contudo, que os textos aqui postados têm sido cada vez menos pessoais, e alguns até menos do que desejaria. Ainda que a interação entre o leitor e o escritor seja algo desejável, diversas razões vêm me distanciando deste padrão, entre as quais o pouco tempo disponível. Em algumas poucas postagens o link para comentários estará ativado, conquanto dificilmente terei como respondê-los, interagindo com o leitor. Mesmo assim, eu me comprometo a ler aqueles que forem enviados, até porque sou eu quem irá autorizar ou não a sua publicação. A minha disposição é de publicá-los todos, mas, respeitosamente, prossigo no direito de eventualmente também não publicar os que julgar que não devo. Comentários sobre opiniões de terceiros, com conteúdo demasiadamente cáustico ou que me pareça ofensivo, têm sido automaticamente descartados. Decorrido algum tempo, o conteúdo de alguns posts é transferido para o arquivo, e o de outros mais ocasionais é apagado.
Provavelmente você encontrará (ou já
encontrou) algum lapso na Língua Portuguesa. Todos os eventuais lapsos
devem ser lançados inteiramente em minha conta, ainda quando se tratar
de citações de outros autores. Some-se a isto o fato de que as postagens
web, em linguagem html, nem sempre sofrem uma revisão mais rigorosa
e atenta, e que os processos de produção e publicação do texto podem
ser quase que instantâneos. Este é um site particular, sem nenhuma vinculação formal com qualquer instituição. Se vier a citá-lo, peço-lhe a gentileza de indicar o nome do site, o nome do autor, a data do post e fornecer o devido link. A simples menção de web-sites, blogs, artigos, livros, etc, ou mesmo os links aqui oferecidos a qualquer um desses, não implica necessariamente minha total e irrestrita aceitação do conteúdo intelectual dessas obras. Muitas vezes cito alguns irmãos em Cristo, do presente e do passado, aos quais admiro e respeito, e por quem sou muito grato a Deus. Não pense, porém, que faço uma imagem idealista deles. O ditado católico, "todo santo tem um pé de barro", aplica-se perfeitamente aqui. Há um formulário disponível para e-mails. Tenha a liberdade de fazer contato, se desejar. A Bíblia e o "Coração"
O atual sentido metafórico que atribuímos à
palavra coração procede da tradição judaico-cristã. Daí tantas
expressões idiomáticas, tais como: "abrir o coração", "com o coração na
mão", "coração duro", "coração de pedra", "tem bom coração", "coração de
ouro", "deu o coração a quem não merecia", "é de cortar o coração",
"falar com o coração", "tem o
Diz Jesus Cristo nas Bem-aventuranças: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8). E em seu terno convite, ele diz de si mesmo: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma" (Mt 11.29). Lucas registra que os cristãos primitivos “diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração (At 2.46). E Paulo dá graças a Deus pelos cristãos romanos, chegando a dizer: “outrora, éreis escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” (Rm 6.17). Ele também recomenda aos servos crentes em Éfeso e Colossos que sirvam “como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus” (Ef 6.6; Cl 3.22). E o apóstolo Pedro nos exorta: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1Pe 1.22 ). A palavra de Deus descreve a natureza atual do ser humano de u'a maneira tal que apresenta a necessidade de que Deus proceda a um transplante de coração. "Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" (Jr 17.9). Nos dias de Noé, "viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração" (Gn 6.5). E o salmista diz que "do céu olha o Senhor para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos conjuntamente se desviaram, se extraviaram, e juntamente se corromperam, não há quem faça o bem, não há um justo, nem um sequer" (Sl 14.2-3). Não subestime os laços e os enganos do seu coração, e não seja por demais otimista em relação a ele. Você já esteve ao lado das portentosas Cataratas do Rio Iguaçu? Aquele imenso rio cai sobre o precipício. E o faz com naturalidade. Ele cai por natureza, e não pode subir. Ao cair, cada gota empurra a outra por sobre a borda daquela grande queda d'água. Assim, a Bíblia descreve os pecadores como num estado de inclinação, numa direção caída. Tal como jazia Lázaro, por natureza o ser humano está confinado ao túmulo espiritual, dependente do poder de Cristo para ressuscitá-lo de entre os mortos. Estamos aprisionados como os ossos secos da visão de Ezequiel (Ez 37). Esta descrição bíblica não significa que todo ser humano é tão mau quanto poderia ser; nem que todos sejam absolutamente incapazes de discernir sua responsabilidade para com a lei moral de Deus; nem que sejam ainda incapazes de fazer algum bem para com os seus semelhantes; ou que não possam ser externamente submissos a algum tipo de culto ou a alguma religião. Ela significa que o pecado afetou a totalidade do homem; a personalidade humana foi atingida em todas as suas faculdades: a vontade, o entendimento, e as afeições. Há em nós princípios de corrupção, sementes do mal, em toda parte. Repito: não seja muito otimista em relação ao estado do seu coração. Desconfie dele. Desconfie de sua pretensa racionalidade; desconfie de sua pretensa firmeza; desconfie de sua pretensa clareza e direção. É vital que compreendamos a natureza e o estado do nosso coração. Perspectivas erradas sobre uma doença sempre trarão consigo perspectivas erradas sobre a cura. No diagnóstico bíblico, o homem não precisa somente de uma reforma moral e de uma reforma educacional; o homem não precisa apenas de um banho de civilização; o homem não precisa apenas de melhores condições materiais de vida. O homem precisa de conversão, de novo nascimento, de uma transformação poderosa que só pode ser efetuada pelo poder do Espírito Santo de Deus. "Necessário te é nascer de novo". Somente Deus é capaz de conhecer o coração humano. "Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações" (Jr 17.10). Davi se indagava: "Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas" (Sl 19.12). No Brasil, o primeiro transplante cardíaco foi realizado em maio de 1968 por uma equipe chefiada pelo Prof. Euríclides Zerbini, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Foi também o primeiro transplante cardíaco da América Latina e o décimo sétimo no mundo. A Palavra de Deus nos diz que Deus faz “transplante” de coração: "E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, que eu sou o Senhor; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; pois se voltarão para mim de todo o seu coração" (Jr 24.7). "E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne" (Ez 11.19). "Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo" (Ez 36.26). Repare que o sujeito que opera o transplante é Deus. E Ele o faz soberana e graciosamente. O pecador é o paciente; sofre a ação. O ser humano está dependente do poder regenerador do Espírito Santo para torná-lo nova criatura. E está dependente deste mesmo Espírito, e da Palavra que Ele inspirou, para guiá-lo pelo caminho e formar nele a plenitude do Senhor Jesus. Quem passa por esse transplante crê. O Apóstolo João diz: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus” (1Jo 5.1). Neste versículo, tanto no original grego quanto na tradução em português, é muito importante atentar para os tempos expressos pelos verbos crer e nascer. Jesus Cristo, em seu diálogo com o fariseu Nicodemos, disse ao religioso: “se alguém não nascer de novo, não pode ver...”, e mais à frente: “não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.3,5). Aliás, chega mesmo a ser interessante que o verbo crer tenha sua origem latina em credere, que alguém sugeriu ser um cognato de cor dare, “dar o coração”. O salmista também diz: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Isto nos faz questionar aqueles comportamentos e condicionamentos que não atingiram o coração, ou que não expressam a realidade do coração. Razão pela qual a Palavra do Senhor nos exorta: “Assim, andai no temor do SENHOR, com fidelidade e inteireza de coração” (2 Cr 19.9). * Primeira postagem, publicada em 15/11/2005 e revisada em 15/11/2006 e 15/11/2007. |
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