116  - Teologia Sistemática;  uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual.

- Lançamento da obra e Culto em Ação de Graças -

28 novembro 2007

Domingo passado, dia vinte e cinco de novembro, foi realizado em nossa Igreja um culto em ação de graças, quando tivemos a oportunidade de expressar ao bom Senhor a devida gratidão pela publicação da obra Teologia Sistemática; uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual.

O LIVRO

Os autores desta muito aguardada obra são os estimados professores Franklin Ferreira e Alan Myatt.  Já com boa bagagem e experiência em docência teológica, e notoriamente versados no vasto campo acadêmico e literário da área em que se propuseram escrever, os dois respeitados evangélicos batistas oferecem ao público uma obra esmerada e erudita.

Franklin Ferreira é bacharel em teologia pela Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi professor de teologia sistemática e história da igreja no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil no Rio de Janeiro (1997-2007) e professor visitante no Seminário Teológico Servo de Cristo, São Paulo (2002-2006). Após seus pastorados no Rio de Janeiro, Franklin integra agora a equipe de Editora Fiel, mais especificamente o setor editorial, onde oferece peculiar dedicação ao Projeto João Calvino. Entre o material que ele tem publicado, destacam-se os livros Gigantes da Fé e Agostinho de A a Z. Ele, sua esposa Marilene e sua filha Beatriz congregam em nossa Igreja.

Alan Myatt é Bacharel em Artes (Psicologia e História) pela Vanderbilt University; Mestre em Divindade pelo Denver Seminary e Ph.D. em Estudos Teológicos e Religiosos pela University of Denver / Iliff School of Theology em Denver, Colorado. Professor de teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo desde 2001, tendo lecionado a mesma matéria no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil no Rio de Janeiro (1996-2001). Também atuou como professor visitante na área de Filosofia da Religião no Centro Presbiteriano de Pós-Gradução Andrew Jumper, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo. Desde 1995 é missionário no Brasil.

A obra vem com o referendado selo de Edições Vida Nova. A coordenação editorial foi de Marisa K. A. de Siqueira Lopes, que se consorcia com outros qualificados assinantes da ficha técnica. A revisão técnica foi conduzida por Márcio L. Redondo.

Se o editor preferiu fugir da tradicional capa francesa da maioria das teologias sistemáticas, conseguiu, entretanto, manter uma desejável sobriedade no conjunto total proposto. O conceito que o designer propôs para a capa é marcado pela tensão entre o ser e o devir, tão característica do contexto atual, e por apelar tanto ao antigo quanto ao contemporâneo. A opção foi por uma boa encadernação em policromia, acentuando cor e movimento, embora recorra a imagens históricas e clássicas, que incluem o Coliseu Romano e os arcos da janela de uma catedral gótica. O destaque do conjunto fica para uma cruz celta (ou iônica), em pedra e com seus característicos adornos de nós, que ilustrará boa parte do livro, inclusive as aberturas das oito seções do conteúdo.

O formato (17 x 24 cm) é ideal e a encadernação de boa qualidade, como se esperaria de uma obra desta natureza e tamanho – a saber, 1218 páginas, além das vinte e nove páginas destinadas às apresentações, introdução, etc. O volume de 1,800 Kg conta com uma impressão exímia e miolo em papel de razoável qualidade. As fontes utilizadas no texto, com as proporções indicadas nas citações e notas, são apropriadas a uma leitura fácil e agradável. Numa obra acadêmica oferecida aos docentes e estudantes de teologia, sente-se a restrição das margens, em especial as das extremidades à esquerda e à direita, com espaço demasiadamente exíguo, ou praticamente inexistente, para eventuais apontamentos ou indexações do estudante ou leitor. Acompanhando um padrão de obras publicadas recentemente no Brasil, os capítulos têm início quer à página direita, quer à esquerda. As oito grandes partes do livro, entretanto, invariavelmente têm início na página à direita.

Os autores dedicam a obra às respectivas esposas e filhas, aquelas, “principal de todos os confortos abaixo da esperança de salvação”, e estas, “dom e bênção de Deus, desde cedo educadas na esperança da vida eterna”. Após o sumário (que poderia ter sido mais pormenorizado), agradecimentos de praxe, e indicação de abreviaturas utilizadas, o livro traz duas apresentações, assinadas pelo Rev. Augustus Nicodemus Lopes, Ph.D., e Luiz Sayão, obreiros destacados e reconhecidos teólogos, com vasta folha de serviços prestados à causa evangélica. Segue o prefácio da pena de Russell Shedd, Ph.D., veterano pastor-missionário, fundador da editora que publica o livro, e pessoa amplamente estimada pelo povo de Deus. Pioneiro e um dos responsáveis diretos pela nova consciência da importância da pregação expositiva – quer por meio de publicações, ou pela empenhada docência, ou na incansável prática e exemplo pessoal –, Dr. Shedd, que tem completado cinqüenta anos de ministério missionário, é nome bastante qualificado para alertar-nos sobre o quilate de publicações teológicas.

Os apresentadores chamam a atenção para a importância da obra no contexto brasileiro, o mesmo fazendo o prefaciador. Este aponta que o livro “será um marco na história do evangelho no Brasil”. E acrescenta: “Não há outro tomo que eu conheça desta qualidade, escrito dentro do contexto do Brasil com a atualidade, abrangência, profundidade e segurança desta obra”. Aqueles, respectivamente, salientam a natureza desta Teologia Sistemática como “diferente de todas as demais disponíveis no mercado brasileiro de hoje”, e na qual “a realidade brasileira foi levada em conta, tanto no aspecto teológico como popular... A interação aprofundada da discussão teológica no ambiente anglo-saxão e da teologia evangélica no ambiente brasileiro é extremamente saudável e necessária”. E conclui-se com a expectativa de que o livro “contribua de modo positivo e promissor para o incipiente pensamento brasileiro”.

Devemos fazer coro com o que se tem sido dito acerca da relevância desta obra para o nosso contexto brasileiro. Não obstante, não podemos deixar de acrescentar o caráter auspicioso que tem uma obra de referência teológica também para o vasto e diversificado mundo lusófono. Este, servindo-se (e em alguns aspectos até dependendo) geralmente de publicações brasileiras, tem assistido, com algum desapontamento, os episódicos espasmos de estreiteza nacionalista que acometem a produção editorial evangélica no Brasil, mesmo em obras de amplo foco e interesse. Convém, contudo, situar um aspecto importante à ótica dos autores desta Teologia Sistemática. Na introdução, eles iniciam dizendo que apresentam “ao povo brasileiro esta obra”. Após tomarem bom alento para fazer a afirmação da natureza confessional do cristianismo, e trazerem uma palavra explicativa sobre o método desenvolvido, argumentam eles sobre sua consideração ao contexto, para o que deve atentar o leitor não-brasileiro. Conquanto afirmarem não acreditar que seja possível fazer algo como uma “teologia brasileira” – fato, aliás, convenientemente defendido por eles, e endossado na apresentação de Dr. Augustus Nicodemus –, os autores informam, não obstante, que tiveram a preocupação de “fazer uma teologia sensível à cultura brasileira”. Concluem que seria igualmente “errado tratar a teologia como se fosse um sistema de abstrações platônicas, sem contato com a realidade do dia-a-dia das pessoas”. E completam: “Cremos firmemente que uma teologia adequada para a situação atual tem de lidar com os problemas e questões específicas da cultura onde tal teologia é elaborada”. Deste modo, eles expressam sua expectativa de que a obra “consiga falar à realidade sociocultural brasileira e, assim, ser uma teologia voltada para o contexto brasileiro”. Fica, portanto, ao estudante brasileiro aplicado avaliar se tal objetivo foi alcançado, e ao estudante não-brasileiro, por conseguinte, situar esta atenção realista dos autores, com sua inevitável preocupação empirista em termos metodológicos e programáticos. Em tudo, porém, os autores recusam os modelos e perspectivas estritamente experienciais ou existencialistas, e o substrato da obra permanece inegavelmente legatário e ancorado no idealismo agostiniano-calvinista, na teocêntrica espiritualidade puritana, e também no neocalvinismo (mormente o holandês) com algumas de suas matrizes “platônicas”.

Finalizando sua introdução, os autores reafirmam o muito salutar “compromisso com a noção de que a teologia deve ser prática e devocional”. O leitor cristão provavelmente há de constatar que um diferencial neste volume é mesmo a suave fragrância devocional que permeia todo o conteúdo, ainda em contextos eminentemente técnicos e geralmente áridos e pesados.

Como já foi dito, o conteúdo da obra encontra-se subdividido em oito grandes partes, a saber:

1 – Introdução ao Estudo da Teologia Cristã, com dois capítulos;

2 – A Doutrina da Revelação de Deus, com dois capítulos;

3 – A Doutrina de Deus, com seis capítulos;

4 – A Doutrina da Humanidade e do Pecado, com dois capítulos;

5 – A Doutrina da Pessoa e Obra de Cristo, com quatro capítulos;

6 – A Doutrina da Pessoa e Obra do Espírito Santo, com quatro capítulos;

7 – A Doutrina da Igreja, com um capítulo;

8 – A Doutrina das Últimas Coisas, com três capítulos.

À exceção da primeira parte, onde os autores tratam da construção da cosmovisão cristã e da metodologia teológica, os demais capítulos evoluem com a seguinte estrutura:

* Definição do Problema, com delimitação de escopo e levantamento de questões;

* Estudo Histórico e Comparativo, onde o vigor da laboriosa pena dos autores pode ser nitidamente verificado, com sua devida atenção à história e algumas eventuais interações com a filosofia;

* Estudo Bíblico, em que o leitor percebe o paciente e meticuloso trabalho exegético de Ferreira e Myatt ao debruçarem-se sobre o Antigo e o Novo Testamento, em cada capítulo da obra;

* Estudo Sistemático, onde os autores procuram sistematizar os ensinamentos cristãos, encontrados nas Sagradas Escrituras, propondo-se a atender à metodologia e ao rigor científico;

* Estudo Apologético, em que confrontam heresias e desvios doutrinários, além de outras práticas reprováveis;

* Aplicação Prática, em que o aspecto devocional é salientado, oferecendo uma conclusão arejada ao conteúdo do capítulo;

* Apêndices oportunos são oferecidos em alguns capítulos;

* Bibliografia para Aprofundamento, onde são recomendadas obras disponíveis em Língua Portuguesa.      

Saudamos a decisão feliz e oportuna da dupla autoral de socorrer-se desta estrutura, conforme o método desenvolvido por Demarest e Lewis. A interdisciplinaridade deste método integrativo, defendido por Ferreira e Myatt no capítulo dois, em seu trabalho com as doutrinas, passa pelas seis etapas para chegar a conclusões racionais e práticas. Explicam os autores:

As doutrinas não são formuladas a partir de pressupostos não-bíblicos, mas por um processo de análise de várias opções à luz da consistência lógica, do apoio dos fatos empíricos e da viabilidade existencial de cada conclusão. Mas no fim, tudo depende do pressuposto da revelação verbal e plenária de Deus na Escritura, que é a fonte e a referência final para determinar nossa teologia.

Aqueles que conhecem mais proximamente os autores perceberão que, aqui e acolá, o estilo de um deles sobressai-se, conquanto, como indica a introdução, cada parte de todo o conjunto, depois de concluída, foi amplamente revisada e discutida pelo co-autor, de tal sorte que, no produto final, não dá para dividir a obra de forma muito cirúrgica no que diz respeito aos estilos e ênfases individuais e particulares. Pontualmente, onde os autores não puderam emitir uma convicção comum a ambos, o leitor é informado, como se pode perceber no último capítulo, A Volta de Cristo e o Milênio.

A leitura do conteúdo faz-se geralmente fluente, e as notas encontram-se no rodapé, como, aliás, convém a qualquer grande obra. (É lamentável que ainda tenhamos obras de referência, publicadas em português, com as torturantes notas de final de capítulo, conquanto reconheçamos a dificuldade que alguns autores impõem aos editores com suas notas germanicamente imensas). Os autores interagem em todo tempo com o patrimônio histórico da confessionalidade cristã, em seus credos e confissões de fé, fazem bom uso dos escritos patrísticos e escoláticos, têm domínio da situação e contexto reformado, dialogam com o evangelicalismo em seu aspecto mais amplo, e revelam-se bastante atualizados nos embates que estão acontecendo na arena teológica da Cristandade. Questões momentosas são enfrentadas, como por exemplo, novas tendências teonomistas, a chamada “nova perspectiva em justificação” (onde os autores confrontam com a defesa da bíblica e histórica posição reformada), elaborações neoteístas (como a do chamado Teísmo Aberto), e os diálogos recentes entre a teologia pactual e a teologia da nova aliança (onde os autores não deixam de estender a esta última o seu olhar de simpatia).

Alguns leitores batistas poderão ressentir-se de que apenas um capítulo tenha sido destinado à eclesiologia, num contexto em que a recuperação de uma sã eclesiologia faz-se grandemente sentida. Entretanto, deve-se fazer justiça com os fatos de que a obra – “de corte reformado e viés batista, aberta todavia aos pontos comuns que os reformados compartilham”, como perceptivamente salientado por Dr. Augustus Nicodemus – não se pretende a um exaustivo estudo da ordem eclesiástica, e que, ainda assim, nesta sétima parte do livro, o único capítulo A Comunhão Cristã, com suas quase cem páginas, constitui-se no maior de toda a obra. Este imenso capítulo oferece ampla matéria para um aprofundamento na doutrina da Igreja, inclusive dedicando bom fôlego para discutir a oportuníssima questão sobre o relacionamento entre Igreja e Estado. “Precisamos rejeitar o conceito da soberania absoluta do Estado, que é ´um produto do panteísmo filosófico alemão`, bem como o conceito da soberania absoluta do povo, como foi defendido pela Revolução Francesa”, asseveram.

Além disso, pode-se dar o caso de que alguns, tomando por pressuposição o background dos autores, se ressintam de um tratamento não suficientemente alentado em alguns distintivos aspectos da herança batista. Aliando o que já tem sido dito logo acima, deve-se atentar para os básicos e mui claros aspectos da eclesiologia esposada pelos autores. “No Novo Testamento”, concluem, “ekklesia designa congregações locais ou a comunidade dos redimidos, a igreja invisível e universal”. O Novo Testamento ensina que a igreja local, embora unida a todo o povo de Deus, “é uma igreja completa”. “Todas as promessas de Deus se aplicam a ela, e Cristo, o cabeça e Senhor da igreja, acha-se tão presente ali como em qualquer entidade mais ampla”. A igreja é “a comunidade predestinada por Deus”. Ela é “eleita, chamada e santificada para estar em união íntima com Cristo, por toda a eternidade”.

Para os batistas, a ordenança do batismo é “um sinal da salvação”, “um testemunho da regeneração do fiel”. No Novo Testamento, “o batismo é uma profissão de fé em Cristo e o rito de entrada na igreja cristã”. O significado predominante da palavra baptizo é “mergulhar ou imergir na água”. E mesmo João Calvino “reconheceu que imersão é o significado básico do termo, e que essa era a forma original do batismo praticado pela igreja primitiva”.

É evidente que a prática de batismo infantil “não era consenso na igreja primitiva”. À luz da evidência, deve ser admitido que, “nos primeiros séculos da história da igreja, o batismo de adultos era a regra e o batismo infantil era a exceção; e que, somente após o século V, quando a igreja se estabeleceu no império romano, o batismo infantil se tornou a regra geral”. O que fica claro é que, uma vez que “a doutrina da regeneração foi vinculada ao batismo, sua aplicação aos recém-nascidos se tornou irreversível”. A natureza do batismo como fonte de regeneração, na teologia católica, “foi a motivação principal para a prática do batismo infantil”. E arrematam os autores, com clareza de visão do processo histórico: “Com o advento da Reforma Protestante, a doutrina da regeneração batismal foi rejeitada nas igrejas reformadas. O resultado foi ou o abandono da prática, ou a construção de uma nova justificativa teológica para preservá-la. Estes dois aspectos são visíveis na teologia evangélica”.

Com o advento da nova aliança “aconteceram algumas mudanças na congregação do povo de Deus”. “Essas mudanças refletem as diferenças entre as alianças”, endossam. Uma “analogia” pode ser feita entre o batismo e a circuncisão, “que é o sinal da antiga aliança”. Paulo fez essa analogia em Colossenses 2.11-12, ao notar que, sendo ressuscitados por meio da fé, após serem sepultados em Cristo no batismo, “os cristãos eram também circuncidados por Cristo”. Essa circuncisão “não era física, já que Paulo avisou aos gentios para não adotarem essa prática, mas, era a circuncisão do coração”.  Entre a circuncisão e o batismo “há uma continuidade e uma descontinuidade”. Os dois “significam a entrada no pacto” e, assim “podemos dizer que o batismo tomou o lugar da circuncisão na vida do povo de Deus”. “As diferenças entre as alianças, porém, modificam o significado do rito”, concluem.

Argumentam os autores pela unicidade e seriedade do batismo. “Do mesmo modo que a justificação e a regeneração ocorrem uma vez para sempre, assim será o batismo”. Os autores assumem que a “prática geral dos batistas tem sido a de batizar novamente o novo convertido que tenha sido batizado na infância”, pois acreditam que essa “primeira lavagem não foi um batismo de verdade”. “Assim”, observam os autores, “eles entendem que o batismo do novo convertido é, de fato, seu primeiro batismo”. Eles identificam a prática predominante entre batistas de só acolherem na membresia os que tenham sido imersos, mas procedem à honesta constatação de que tem havido exceções, estendendo às tais sua aparente simpatia, em particular à opinião do puritano batista John Bunyan.

Ao final da obra, o leitor tem acesso à farta bibliografia geral, e a um índice onde foi empreendido o cotejamento dos textos bíblicos. Alguns leitores sentirão a ausência de um índice onomástico, que teria sido ferramenta valiosa aos pesquisadores, numa obra em que os nomes pululam por toda parte. Esta lacuna, infelizmente tão comum em obras de referência publicadas no Brasil, talvez possa ser superada em alguma próxima edição, assim como a adição de um índice temático.                

Como toda obra de Teologia Sistemática, esta também não evocará unanimidade, e nem parte desta pretensão, obviamente. Com certeza ela deverá esbarrar em limites ou exibirá fragilidades. Uma leitura mais crítica do conteúdo (que foge ao escopo e alcance destas linhas), com uma maior atenção a todo o conjunto e a dedicação a outros aspectos pontuais, deve ser aguardada das sucedâneas resenhas, onde a voz de leitores mais abalizados e judiciosos se faça ouvir. Teremos, certamente, muito a aprender da percepção e contribuição destes. Quanto a nós, já temos muitos motivos para dar graças a Deus por esta vitoriosa publicação da Opus Magna dos amados irmãos Franklin Ferreira e Alan Myatt, tanto pela riqueza e valor de seu conteúdo, quanto por tudo que ela representa e simboliza em si mesma ao chegar-nos às mãos.      

O CULTO

A ocasião contou com a presença da maioria dos membros da igreja, e com visitantes que procediam de outros lugares, incluindo as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. O culto foi conduzido pelo irmão Pr. Wellington Ferreira, membro de nossa igreja, e que por cerca de quinze anos presta dedicado ministério de tradução e revisão na equipe de Editora Fiel. A música foi conduzida por Valdir Santos, também membro de nossa igreja, e diretor da Escola Cristã aqui em nossa cidade. Valdir é também bastante conhecido por conduzir, há vários anos, a música nas conferências da Editora Fiel para pastores e líderes, em Águas de Lindóia, SP.

As Escrituras foram lidas e cantadas, alguns irmãos conduziram a congregação em orações (entre os quais o decano missionário, Pr. Jack Walkey, membro de nossa igreja), e foi estendida a palavra ao Pr. Franklin Ferreira, que, com comovida gratidão, acentuou o longo e difícil percurso na preparação deste trabalho. Após, foi conduzida a palavra ao diretor-executivo de Edições Vida Nova, Pr. Kenneth Lee Davis, que se fazia acompanhar da simpática família e de parte da equipe da editora paulistana, e que expressou o privilégio da editora na publicação de uma obra tão qualificada, em meio à constatação sábia de que “não há limite para fazer livros”. A seguir, Larissa Vaz, gerente de marketing, leu uma carta da equipe editorial, e traduziu uma homenagem de Edições Vida Nova aos autores – saliente-se que Dr. Myatt e família não puderam fazer-se presentes ao culto, devido a compromissos nos Estados Unidos, sua terra natal.

Ao final, foi-me concedida honrosa oportunidade de expor a Palavra de Cristo, o que procurei fazer com base no texto de Hebreus 1.1-3, e com o tema “O Deus que se revela”. A introdução ofereceu uma visão do contexto e propósito da encorajadora epístola, onde a superioridade de Cristo e da religião cristã é apresentada. A exposição do texto básico avançou enfatizando três aspectos: 1 - Deus tem falado, com algum destaque para o conceito de revelação e a ênfase calvinista no “princípio da acomodação” do comunicar divino à linguagem e compreensão do homem; 2. Deus falou outrora, e falou nestes últimos dias, com a consideração dos dois estágios apresentados, em que o escritor bíblico coloca em comparação a figura de Cristo com a dos santos profetas que o precederam; 3. Jesus Cristo é o Verbo completo de Deus, com atenção à descrição autoral para a obra de Cristo em geral, no campo da criação e da providência; a descrição do seu ser e da revelação que ele traz; e da sua obra especial, no campo da redenção, e sua conseqüente exaltação e autoridade mediadora. Ao final foram feitas algumas aplicações, entre as quais, a de que precisamos nos satisfazer com a suficiência da mediação espiritual do Senhor Jesus Cristo, tal qual expressa pela religião que nos é plenamente revelada no Novo Testamento.

Findado o culto, diversas pessoas buscavam exemplares do livro, e o autor presente oferecia algumas palavras dedicatórias aos leitores, cercado de amigos e familiares. Um texto bíblico cantado no culto ofereceu o tom da ocasião:

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.33-36).

Ex Corde

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