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113 - 7ª Conferência FIEL para Pastores e Líderes em Portugal |
08 novembro 2007 |
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Em 2001 participei da 1ª Conferência FIEL
para Pastores e Líderes em Portugal. Chegávamos lá com disposição e
grande alegria, levando no coração o propósito de servir os irmãos
portugueses. Porém, por melhor que fosse, à ocasião era muito
superficial o conhecimento que tínhamos da realidade experimentada pelos
servos de Cristo naquele país, assim como poucos os relacionamentos
prévios que dispúnhamos. Não obstante a enorme boa-vontade de nossa
parte, logo se nos impôs o desafio de conhecer mais profundamente os
irmãos, suas igrejas e seus desafios. Mesmo assim, desde o início
encontramos boa e simpática acolhida de queridos irmãos portugueses, e
contamos com sua paciência e estímulo. Em meio a alguns limites, as
conferências anuais aconteceram, e Deus dignou-se em conceder graça ao
ministério. Logo foi estabelecido um grupo mais amplo de amigos, que nas
próximas cinco conferências proporcionaram encorajamento às pregações
ministradas e à distribuição de literatura ao povo evangélico lusitano.
As conferências em Portugal contaram com o privilégio da participação de
pregadores grandemente capacitados, e muito abençoados em sua exposição
da Palavra de Cristo. Um senso de temor, de serviço e de unidade no
Senhor fez-se sentir crescentemente, à proporção que aconteciam os
eventos anuais. Boa e farta literatura foi colocada nas mãos de muitos
pastores e líderes; a revista
Fé para Hoje passou a ser periódica e gratuitamente enviada para
um número crescente deles. As correspondências e contatos se multiplicaram. Os v A liderança da Editora FIEL convidou-me para retornar a Portugal, a fim de participar da 7ª Conferência Anual. Seis anos separavam-me do objeto de minhas lembranças e experiências no primeiro contato. Célebre “jardim da Europa à beira-mar plantado”, o país, que tem atualmente o comando da União Européia, vem crescendo em infraestrutura, aliando o antigo e o moderno num conjunto atraente e majestoso. Excelentes rodovias e estradas formam um sistema arterial interligando todo o território português. Assim como nos seis anos anteriores, a conferência foi realizada no Acampamento Baptista em Água de Madeiros, local muito aprazível e bem estruturado, situado numa região privilegiada do litoral português, a meio caminho entre as cidades de Lisboa e Porto. A paisagem dos pinhais de Leiria compõe um ambiente acolhedor, e em poucos minutos chega-se a Marinha Grande, Leiria, Alcobaça, Nazaré e outras importantes cidades. A localização estratégica e a facilidade de acesso por meio das principais rodovias favorecem a chegada ao patrimônio da Convenção Baptista Portuguesa. Além da dignidade e asseio das acomodações do acampamento, há ainda a opção de se recorrer aos hotéis situados nos balneários ao redor, que regram-se pelos padrões de qualidade exigidos pelo turismo na União Européia. A conferência transcorreu entre os dias 22 e 25 de outubro próximo passado. Participaram dos quatro dias de conferência aproximadamente sessenta pessoas, entre pastores, esposas de pastores, líderes e estudantes de teologia, além de outros visitantes ocasionais. O tema da conferência foi “O Pastor e a Fé: Vendo o Invisível!”, remetendo para Hebreus 11.1: “Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção dos fatos que se não vêem”. O preletor principal foi o Prof. Edgar E. Andrews, B.Sc, Ph.D, D.Sc, F.Inst.P, F.I.M. Professor emérito da Universidade de Londres, Dr. Andrews é uma autoridade internacional em Ciência Macromolecular, fundador da Editora Evangelical Press e editor do Jornal Evangelical Times. É autor de vários livros, incluindo um extenso comentário sobre a Epístola aos Hebreus. Os temas das suas mensagens foram: a natureza, a obra, o poder e o conforto da fé. O pregador descortinou-nos lições maravilhosas extraídas das vidas de Abel, Noé, Abraão e Moisés, recorrendo aos aspectos salientados no décimo primeiro capítulo da Epístola aos Hebreus. O conteúdo da pregação foi de uma riqueza inestimável, comunicado com grande reverência, discernimento e profundidade. Dr. Andrews, já conhecido nosso, fez-se acompanhar do querido casal Samuel e Joyce (Walkey) Moraes, filhos de nossa igreja aqui no Brasil, e atualmente também cidadãos britânicos residentes na região de Londres. Com seus dois filhos menores, Samuel e Joyce cercaram o nosso irmão Andrews de afetuosos cuidados, a fim de que ele experimentasse uma feliz estadia em Portugal, visto que não pôde fazer-se acompanhar de sua esposa, que ficara em Londres restabelecendo-se de uma cirurgia. O casal Moraes tem vínculos estreitos com o preletor, inclusive desfrutando de comunhão na mesma igreja. Joyce também realizava em Portugal o trabalho de jornalista para o Evangelical Times.
O
segundo preletor foi o
Prof.
Adauto J. B. Lourenço, B.Sc., MSc., formado em Física pela Bob
Jones University e com Mestrado pela Clemson University, ambas nos
Estados Unidos. Nosso irmão Adauto é conferencista já bastante conhecido
em alguns países, tendo-se envolvido ativamente com o Criacionismo
Científico realizando palestras em igrejas, conferências, escolas e
universidades. Apresentado aos evangélicos portugueses através das
conferências anteriores, o Prof. Adauto é já muito estimado por pastores
e igrejas naquele país. Ele tem promovido séries de palestra
A
coordenação da conferência concedeu-me quatro generosas oportunidades
para expor a Palavra de Deus, separando-me uma hora para cada mensagem.
Fui grandemente favorecido com um auditório silente e atento,
condescendente com este pregador, e que sorvia com avidez a exposição do
Texto Sagrado. Na simplicidade dos cultos, à Palavra de Deus cabia um
lugar de grande honra, em que a pregação transcorria com solenidade e
graça. Afastando-me um pouco do planejamento inicial a que me propusera
(embora não inteiramente), dediquei-me a um duplo propósito. Em primeiro
lugar, propus-me a uma palavra que oferecesse unidade a todo o conjunto
de pregações e preleções, a fim de que a conferência não assumisse uma
fisionomia fragmentada e que os assuntos tratados não se mantivessem
desconectados; por ideal, que tudo se encaminhasse para um espírito
comum, em um só coração e O coordenador das Conferências FIEL em Portugal é o estimado irmão João Custódio Nunes, pastor-missionário na cidade de Tomar, urbe que revela incontáveis anos da história portuguesa. Amigo da Editora FIEL já de vários anos, o Pr. Nunes é português da gema. Pessoa afetuosa e respeitada, ele expede as correspondências locais, realiza os procedimentos logísticos, recebe as inscrições, e conduz as reuniões com grande paciência e distinção. Versado em alguns idiomas europeus, entre os quais o Inglês e o Francês, ele também tem contribuído na tradução das mensagens dos preletores de Língua Inglesa. Nutrindo grande amor a Portugal e ao idioma de Camões, o Pr. Nunes tem, sobretudo, amado e servido o Senhor Jesus Cristo, e dignificado o Evangelho de Nosso Mestre entre o povo lusitano. Somos muito gratos a Deus pela vida e ministério deste dileto irmão. O conteúdo cantado na conferência, em regra, não tem sido escrito por “meninos”, mas por homens santos, eruditos e cheios do conhecimento das Escrituras, que escreveram para a mente e para o coração das pessoas. Homens que entenderam que nossa fé deve ser cognitiva e não simplesmente romântica ou mística. Selecionando músicas de boa qualidade, e cujas métricas respeitem o acento genuinamente português, o coordenador conta com a ajuda voluntária de alguns pastores com excelente bagagem musical, entre os quais cabe citar os nomes dos irmãos José Pinto Ferreira (Cacém) e Abiniel Macaia (Porto), que muito têm contribuído desde o início. O nosso pequeno grupo de brasileiros, presente à conferência, foi unânime em perceber que os irmãos portugueses já oferecem o tom e assumem o ônus da ocasião. Vimos que já têm a conferência como sendo sua. O conclave vem, assim, assumindo a expressão de um evento português, embora o concurso da Editora FIEL no Brasil. Os pastores nacionais alegremente se alternam na condução dos cultos e nas orações públicas. O auditório é perceptivo e respeitosamente inquiridor, e os participantes oferecem suas questões aos preletores nas sessões de perguntas e respostas. O senso de participação e responsabilidade dos irmãos para com a conferência vê-se nas muitas sugestões que fazem: maior divulgação; contato mais abrangente entre os evangélicos portugueses; mais um dia de conferência; atividades para as crianças; mais livros e mídias na livraria; sistema de gravação das mensagens, etc. À Editora FIEL o desafio de aprimorar a plataforma onde aqueles homens e mulheres, que militam em condições adversas, possam conhecer-se melhor e juntos refletir no ensino da Palavra, tendo em vista a reprodução de tal reflexão na igreja. O rico legado da Fé Reformada é muito negligenciado, e faremos bem em abrir e expor estes tesouros diante do povo do Senhor, confiando o restante ao Senhor do povo.
Em seu contexto mais amplo, o clima predominante foi de leveza e contentamento. Desfrutamos de boa comunhão ali, e rever irmãos queridos constituiu-se, como sói acontecer, numa experiência muito agradável. Os seis anos consolidaram uma salutar reciprocidade entre diversos irmãos, conquanto haver sido expressivo o número daqueles que foram à conferência pela primeira vez. Às mesas no refeitório, nas rodas de café e círculos de conversa, na livraria, às subidas para a capela, enfim, de contínuo respirava-se uma atmosfera cordial e respeitosa, fraterna e bem-humorada. Tão brandamente os ventos os levavam, Como quem o Céu tinha por amigo; Sereno o ar e os tempos se mostravam Sem nuvens, sem receio de perigo. [1] Os cultos aconteciam pela manhã e à noite. As tardes eram livres, e os congressistas podiam visitar as cidades da famosa região: Óbidos, Batalha, Alcobaça, Nazaré, Caldas da Rainha, Castelo de Leiria, e pitorescos balneários ali no litoral. O acampamento tem a supervisão do Pr. Mário Jorge Ferreira Marques, que coordena a livraria batista em Lisboa. Um muito competente e prestativo casal cuida da administração direta no local. A alimentação é tipicamente portuguesa e a hospitalidade é simpática e distintamente oferecida.
Além dos brasileiros anteriormente
mencionados, nossa equipe do Brasil contou com a presença do jovem Tiago
Santos Filho, diácono de nossa Igreja aqui, gerente, representante e
rosto da Editora FIEL na conferência. Antecedendo à conferência, o
trabalho de Tiago foi muito intenso. Desde dezembro de 2006 ele escreveu
cinco cartas para todos os participantes das conferências anteriores,
bem como aos leitores da revista. Fez inúmeros telefonemas e interagiu
através de muitos e-mails. No local, ele cuidava da administração
financeira da conferência, da hospedagem e transporte dos preletores,
oferecia alguma ajuda ao coordenador local na recepção, introduzia os
preletores ao público... Já bastante conhecido e amado pelos irmãos
portugueses, ele também dispensa um serviço dedicado e muito importante
na livraria. Neste ano, Tiago direcionou à conferência sete caixas (210
kg aproximadamente) de livros. Por exemplo, as sessenta cópias do livro
do Prof. Adauto foram todas distribuídas a um preço muito acessível.
Além de Tiago, a nossa comitiva foi integrada pelo Pr. Kevin Millard,
missionário norte-americano no Brasil, que atualmente coordena o projeto
de Adoção ao Pastor – “Biblioteca
do Pastor”. A presença e ajuda deste irmão foi inestimável, e
Ao final da conferência havia aquele sentimento de que tudo passou muito rápido, e que poderíamos permanecer mais um pouco. Além disso, aquele desejo expresso de voltar no próximo ano, e de convidar amigos e conhecidos. O conjunto dessas coisas, somado ao senso de unidade que pudemos perceber, pela graça de Deus, tornou a conferência muito bem sucedida. Se lá estivemos com o propósito de levar aos irmãos uma palavra de encorajamento, a verdade é que fomos muito mais encorajados por tudo quanto Deus nos permitiu experimentar. Vós, Portugueses, poucos quanto fortes, Que o fraco poder vosso não pesais ... A Lei da vida eterna dilatais ... Que vós, por muito poucos que sejais, Muito façais na santa Cristandade, Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade! [2]
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[1] Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto 1, 43. [2] Idem, Canto 7, 3. |
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