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100 - Nascido Escravo - Erasmo, Lutero e o "Livre Arbítrio" - |
10 maio 2007 |
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“Martinho Lutero,
ao venerável D. Erasmo de Rotterdam, com os votos de Graça e Paz em
Cristo”. É
assim
que Lutero introduz a sua obra De Servo Arbítrio, A Escravidão
da Vontade, resposta à famosa Diatribe sobre o Livre Arbítrio,
que Erasmo publicou em 1524. Desidério Erasmo (c. 1466-1536) e Martinho Lutero (1483-1546) permanecem como dois nomes precursores do espírito moderno, e entre eles há algumas semelhanças. Esses dois gigantes intelectuais europeus protagonizaram no contexto explosivo, destinado a dissolver a unidade do mundo medieval. Havendo passado pela Ordem agostiniana, ambos vieram a rejeitar métodos hermenêuticos da Igreja Romana, bem como muitas de suas superstições e crendices. Ambos ofereceram grande contribuição à disseminação do texto bíblico em sua época. Detentores de enorme capacidade para o debate acadêmico, erudito, e partilhando de talento literário, ambos escreveram acerca do “livre arbítrio”, embora com uma diferença diametral: Erasmo, o humanista, defendendo; e Lutero, o reformador, condenando. Isto marcou uma ruptura definitiva entre os dois homens, que, anteriormente, ofereciam-se mútuo encorajamento. Desde o debate de Leipzig (1519), os caminhos de ambos vinham conduzindo a rumos diferentes.
Publicado inicialmente
em 1525, A Escravidão da Vontade1
é um primor de composição polêmica. Nesta obra transparecem com bastante
evidência a personalidade e a franqueza dos sentimentos de Lutero. A
força lógica e persuasiva de seus argumentos revelam a mente treinada na
disciplina da escolástica medieval. O estilo polêmico de Lutero era o da
época em que viveu e traduz Não obstante, o leitor deve comparar o texto luterano muito mais com o bisturi de um resoluto cirurgião do que com a pena de um clínico em seu receituário. Na estima de Lutero, o tratado erasmiano era uma obra da carne. Contendo uma anamnese mal feita, partia de um princípio falso e oferecia um placebo para uma ferida mortal. Lutero repudia o Diatribe de Erasmo expondo a doutrina bíblica do pecado original. Sem um diagnóstico preciso acerca da enfermidade humana, não há como discernir de maneira apropriada o valor das boas-novas do evangelho da graça de Cristo. Em sua réplica, Lutero procede a um honesto e rigoroso exame das Escrituras Sagradas, evidentemente preterido por Erasmo. Foi com a compreensão do puro evangelho que se abriu para Lutero a noção do cativeiro radical da vontade. Sem nenhuma dúvida, na doutrina da depravação do homem situa-se a pedra angular da Reforma. No coração da teologia de Lutero e da doutrina da justificação, está a sua compreensão da depravação original e da pecaminosidade do homem – que ele conheceu muito bem, mesmo como um monge asceta na Ordem agostiniana. O reformador está muito bem qualificado para tratar do assunto da impiedade e da depravação. O que é a verdadeira liberdade? Neste caso, vê-se também que o discurso sobre a condição servil da vontade não visa a outra coisa, se não ao discurso correto sobre a liberdade. Para Lutero, a livre vontade é um termo divino, e não cabe a ninguém, a não ser unicamente à majestade divina. Conceder ao ser humano tal atributo significaria nada menos do que atribuir-lhe a própria divindade, usurpando a glória do Criador. Lutero, assim, compreende que a pergunta pela liberdade da vontade no fundo é a pergunta pelo poder da vontade. Por isso mesmo, a livre vontade é predicado de Deus. É poder essencialmente específico do próprio Deus.
Lutero considerava
A Escravidão da Vontade a sua melhor e mais útil publicação. O valor
deste tratado é inestimável realmente, e poucos livros há que sejam tão
necessários no presente momento. O atual ensino de muitos que se
denominam “protestantes” está em maior acordo com os dogmas
papistas, ou com as idéias de Erasmo, do que com os princípios dos
Reformadores; analisado criticamente, tal ensino está em maior harmonia
com os Cânones e
A Editora FIEL está lançando uma nova edição de "Nascido Escravo". Trata-se de uma versão condensada e adaptada, facilitando o acesso ao clássico texto luterano. Oramos sinceramente que o Senhor abençoe o leitor e que este, abraçando com fé o Eleito de Deus, Jesus Cristo, batalhe por manter sua Causa e sua Verdade nestes dias em que muito tem sido perdido. Que o livro seja um meio de edificação e fortalecimento para todos quantos desejam ser instruídos pelos oráculos de Deus! (Leia também a seguinte postagem anterior: Martinho Lutero: A Teologia da Cruz em contraste com a Teologia da Glória). _________ 1. Para o texto original, em inglês, online: http://www.truecovenanter.com/truelutheran/luther_bow.html
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