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Casamento em Maringá, PR. - Algumas palavras relacionadas ao tema "casamento"- |
14 JANEIRO 2010 |
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Nestes
últimos dias estive no Estado do Paraná, quatorze meses após a última
vez em que lá estive. No sábado, 9 de janeiro, tive o privilégio de
participar do casamento de um jovem casal muito querido, Ricardo e
Rebeca. Eles se conheceram numa das conferências para jovens da
Editora Fiel. Este não é o primeiro casamento que acontece após dois
jovens se conhecerem naquelas conferências... Tive o privilégio de
participar do evento do noivado de Ricardo e Rebeca, aqui O casamento aconteceu na Comunidade Cristã de Maringá (CCM-PR), em que Ricardo é membro e onde o seu pai serve como um dos presbíteros. Essa congregação tem uma história muito interessante, e conquanto tratar-se de uma “comunidade” é uma igreja de doutrina reformada. A CCM é composta de uma gente acolhedora e simpática. Em Maringá fomos fidalgamente hospedados pelo Dr. Wagner Pereira Bornelli e família. Bornelli é um dos presbíteros da CCM, e definidamente uma pessoa capaz. Além de um especialista bem sucedido nacionalmente (e já internacionamente) na área do Direito, vem procurando esmerar-se nos estudos teológicos. Seu pai é uma pessoa chave na organização da CCM (seu pai, o Pr. Paulo César Bornelli, é visto à direita do casal na foto abaixo). Desfrutamos de vários momentos muitos especiais de diálogos e interações, com as três gerações da família Bornelli. Alguns desses momentos ao redor de alguma mesa ampla e inclusiva.
De
nossa cidade seguiram para Maringá cerca de vinte e cinco pessoas (se
não me falham as contas), as quais estiveram hospedadas em outras
residências ou Tive a oportunidade de ministrar uma classe à Comunidade Cristã de Maringá, no último domingo pela manhã. Conquanto tenha sido convidado para falar à noite do domingo, já não me foi possível, visto haver assumido, junto a outras duas famílias, compromissos mais ao sul, na região da tríplice fronteira, onde passamos os últimos dias. ********* Aproveito o fato de escrever sobre casamento, para buscar as origens de algumas palavras relacionadas ao tema. Por conta de sua dinâmica própria, o idioma vai consagrando os seus vocábulos, mas, dadas as distâncias culturais e históricas, vamos perdendo o seu significado de origem e o seu trajeto etimológico. Talvez alguém tenha curiosidade a respeito; e talvez isto contribua para o esclarecimento de alguns conceitos. Namoro - Na Língua Portuguesa, o verbo "enamorar" (preposição em + substantivo amor), pelo que se sabe, é verificado no século XII, e adquiriu o sentido de "cortejar", "cativar", "afeiçoar-se". Daí os vocábulos enamorado, namorado. Quanto ao substantivo "namoro", pelo que tenho acesso, é verificado apenas no final do século XIX. “Namoro” tem sido definido por alguns como “a relação sadia e respeitosa de companheirismo, amizade e afeto entre um homem e uma mulher, em que ambos concordam e mutuamente se propõem a conhecer a personalidade, temperamento, caráter, afinidades e hábitos do outro, com vistas ao casamento, e no qual examinam se não terão maiores problemas nas diversas áreas da vida, tais como: nível econômico, cultural, social, educacional, familiar, religioso, faixa etária, etc.” Noivado – A palavra noiva vem do latim nupta, “casada, esposa”, com influência, segundo parece a alguns, do adjetivo nova, que em latim é novia. Portanto, originalmente falava da mulher. Desta origem derivaram-se posteriormente os vocábulos noivo, noivar e noivado. “Noivado” tem sido definido atualmente por alguns como “o compromisso formal e público através do qual um homem e uma mulher empenham um ao outro sua vida e amor, de forma mútua, responsável e voluntária, num voto e promessa de fidelidade, com vistas ao preparo e planejamento do casamento.” O noivado obedece a procedimentos culturais, recebendo nuances do lugar e contexto. Em nosso contexto brasileiro, por exemplo, tem-se por convenção cultural o uso de alianças (anéis) no dedo anular da mão direita no período de noivado. Núpcias – Mesma origem, segundo alguns, isto é, de nupta. O conjunto de palavras (núpcias, nupcial) passou a descrever os atos e cerimônias envolvendo o evento das bodas. Desposar – Na Língua Portuguesa este conjunto de palavras (esposo, esposa, desposar, etc.) tem origem latina em sponsio, que significa "promessa solene", "compromisso". “Desposados” eram aqueles que fizeram promessa solene de casamento, isto é, originalmente os noivos. Tardiamente o conjunto de palavras passou a descrever as promessas do casamento, apontando para aqueles que contraíram núpcias. A palavra promessa é chave neste conceito. Bodas – A origem encontra-se em bodo, palavra arcaica em português – a palavra ainda consta do Dicionário Aurélio, mas com um significado derivado. Bodo vem do latim votum, que significa “voto, promessa feita aos deuses”. Votum também passou a descrever o objeto votivo, a oferenda. O vocábulo bodas passou a significar os votos pronunciados por ocasião do casamento; depois também a reiteração ou celebração de aniversário desses votos. Nubente – Origem no latim nubente, do verbo nubere, que significa “cobrir ou velar”, isto é, pôr véu em si mesmo. Portanto, referia-se à mulher. Posteriormente, o vocábulo nubentes passou a descrever o casal em núpcias. Matrimônio – O conjunto de palavras (matrimônio, matrimonial) tem origem no latim. A palavra procede de duas outras: mater (mãe) e uma inflexão de patrimonium. A idéia original é de uma “maternidade legal”, isto é, descreve a mulher casada. Observe que patrimonium tem origem em pater (pai), descrevendo as coisas (res) que legalmente pertenciam ao paterfamilias. O matrimônio tem sido matéria de consideração teológica. E teologicamente tem sido definido como “a aliança heterossexual exclusiva entre um homem e uma mulher, ordenada e selada por Deus, precedida do ato público de deixar os pais, consumada pela união sexual, resultando numa união permanente e indissolúvel de apoio mútuo, e normalmente coroada pela dádiva de filhos”. No século XVI, Thomas Becon (c. 1512-1567) definiu o matrimônio nas seguintes palavras: “A alta, santa e abençoada instituição, planejada, estabelecida e ordenada não pelo homem, mas por Deus, na qual um homem e uma mulher são aclopados e entretecidos numa carne e corpo no temor e amor de Deus, pelo livre, amável, entusiástico e bom consentimento de ambos, com a intenção de que os dois habitem juntos como uma carne e corpo, e uma mente e vontade, em toda honestidade, virtude e santidade, e passam suas vidas a compartilhar igualmente de todas as coisas quantas Deus lhes enviará, com ação de graças.” Conjugal - O verbo "jungir" é "colocar sob um mesmo jugo". E com esta idéia (com + jugo) relaciona-se o nosso conjunto de palavras em português (cônjuge, conjugal, etc.). Este foi o verbo utilizado na conhecida expressão de Cristo: “o que Deus jungiu, não o separe o homem”. A concepção cristã, ali, é que quem casa coloca-se debaixo do jugo, toma o jugo. E esta união sob um mesmo jugo transmite a idéia de que ela visa cumprir determinados objetivos e deveres comuns, isto é, alvos, propósitos ou trabalhos que ambas as pessoas tomam a responsabilidade de cumprir como um casal – tal como dois animais “jungidos” cumprem juntamente o serviço que deles é exigido. A figura de um “jugo” pode parecer uma linguagem tosca e rude, ou pouca romântica, especialmente às mentes e sensibilidades modernas. Entretanto, é uma idéia encontrada nos lábios do próprio Cristo. Casamento – A palavra tem origem no verbo casar. Este, por sua vez, veio de casa, pois o ato do matrimônio traz o estabelecimento de nova casa. O conjunto de palavras (casal, casado) tem a mesma origem. Marido – Origem em marito, vocábulo que significa “emparelhado, unido, casado”. Segundo os antigos latinos, relaciona-se com mas, isto é, “macho”, “do sexo maculino”. A palavra descrevia o noivo ou esposo, e também “macho” quando se referia aos animais. Em resumo, a palavra descrevia a parte masculina do par. Na história do Direito de Família verifica-se a instituição chamada “autoridade marital”. Mais tarde o conjunto de palavras (marido, marital) equiparou-se a conjugal. Homem – Alguns estudiosos identificam a relação entre os termos homo e humus. Humus é terra, solo. Daí adviria o conjunto de palavras (humano, humanidade). Hominis seria o nascido da terra, do pó, do solo. Adquiriu o sentido de racional, em oposição a bestia ou fera; por oposição aos deuses, ser humano, mortal; por oposição a mulher, o homem, ser masculino da espécie humana; por oposição aos mortos, ser vivente, vivo. Mulher – O latim é mulier. Discute-se o significado original. Segundo alguns estudiosos, mulier é a palavra proveniente de mollier que significa mais mole, mais delicado, mais suave, tenro. Daí a idéia do “sexo frágil”, que, não obstante, é mais forte do que o homem em muitas coisas, diga-se de passagem. Em Hebraico, conforme a narrativa bíblica da criação da espécie humana, a palavra mulher (ishá) é a mesma palavra homem (ish) acrescida de apenas uma letra, transmitindo a idéia bíblica de que ela procede do homem, e que, embora diferente, compartilha como ele de uma essência comum. Daí as antigas traduções bíblicas traduzirem as palavras hebraicas por “varão” e “varoa”, a fim de manter o mesmo radical nos vocábulos. |
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