Ex Corde
Blog de Gilson Santos
31 Janeiro 2006
28 Janeiro 2006
26 Janeiro 2006
Qual a importância da Bíblia para você?
Existem várias maneiras de responder a pergunta acima. Alguns dizem: "A Bíblia? É apenas mais um livro. Tem algumas palavras de sabedoria aqui e ali, misturadas com um monte de genealogias, mitos e visões malucas". Obviamente este grupo representa a resposta típica do mundo secular. É o grupo que não conhece a Cristo; aceita apenas aquilo que parece estar de acordo com a sabedoria mundana. Para eles, a Bíblia tem pouca importância e ainda menos autoridade.Um segundo grupo de pessoas diz algo mais ou menos assim: "É claro que sei que a Bíblia é importante. Pelo menos meu pastor pensa assim. Ele está sempre citando a Bíblia e brandindo-a no ar. Mas eu não leio muito a Bíblia, pois não consigo entender bem o que ela diz". Este grupo inclui uma grande quantidade de freqüentadores de igrejas e até mesmo cristãos professos. Sabem que a Bíblia é importante e que deveria ser uma prioridade e uma regra de prática nas suas vidas, mas não fazem muito uso pessoal dela. Negligenciam totalmente seus ensinamentos. Ou então passam por ela levianamente, raramente abrindo a Bíblia por si mesmos, dependendo quase que absolutamente de pastores, professores ou pregadores para lhes darem "explicações". Não aplicam o que a Bíblia ensina. A Bíblia permanece um mistério, um livro confuso, o qual têm de engolir com bravura, como "óleo de fígado de bacalhau", todas as manhãs antes do café.
Em um dos seus livros, o Dr. John MacArthur Jr. faz referência ao terceiro grupo, citando o exemplo de sir Walter Scott, famoso novelista e poeta britânico e que era também cristão devoto. Diz-se que quando Scott estava em seu leito de morte, pediu ao secretário: "Traga-me o Livro". Seu secretário pensou nos milhares de livros que Scott tinha em sua biblioteca e perguntou: "Dr. Scott, qual livro?". "O Livro", replicou Scott, "A Bíblia, o único livro para um homem moribundo!" E todo cristão comprometido teria de acrescentar que a Bíblia não somente é o único livro para um moribundo, mas também é o livro para um homem cheio de vitalidade, porque é a Palavra de Deus. Este terceiro grupo, portanto, encara a Bíblia de forma bem diferente. Para eles, a Bíblia é viva, literalmente pululando de verdades empolgantes. Este grupo não vive apenas de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Mt 4.4).
Em qual das três categorias você se encaixa?
Talvez, entretanto, você esteja pensando que não se encaixa em nenhuma dessas categorias. Se você é como um grande número de cristãos, fica em algum lugar entre o segundo e o terceiro grupo. Você deseja que a Bíblia seja mais importante em sua vida. Quer se submeter à sua autoridade, mas a própria vida mantém a Bíblia distante. Para qualquer lado que se volte, você é seduzido, ou intimidado a esquecer os ensinamentos das Escrituras.
Convém, entretanto, firmar dentro de nós uma verdade básica. Em um mundo de pensamentos relativistas, no qual não existem absolutos, a Bíblia permanece como a autoridade absoluta para o cristão. A Bíblia é a Palavra de Deus, não as idéias, opiniões e filosofias de outra pessoa. Não é nem mesmo uma antologia dos melhores pensamentos dos melhores pensadores. A Bíblia é a Palavra de Deus. Tem ela várias características e qualidades que a tornam extremamente importante em nossa vida.
Você já parou para considerar atentamente as reivindicações que encontramos na Bíblia acerca dela mesma? Já parou para refletir acerca do significado da reivindicação de ser ela a Palavra de Deus?
Aos que estão dando os primeiros passos nesta área, e até mesmo a alguns que já estão neste caminho por um bom tempo, quero recomendar o livro de John MacArthur, Jr., "Como obter o máximo da Palavra de Deus", publicado pela Editora Cultura Cristã. Além deste, quero também recomendar um comentário de C. H. Spurgeon no Salmo 119. O livro, publicado por Edições Parakletos, é: "Salmo 119; O Alfabeto de Ouro".
24 Janeiro 2006
18 Janeiro 2006
13 Janeiro 2006
Os Primeiros Batistas Gerais Ingleses praticaram o batismo por imersão? (II)
Fiz, depois, menção de uma carta-resposta pelo Pr. Zaqueu Moreira de Oliveira, publicada em 27 de novembro n’O Jornal Batista, em que ele fez reparos àquela opinião de Pr. Salovi, e, recorrendo às fontes disponíveis, concluiu dizendo que os primeiros batistas gerais ingleses praticaram a afusão, e não a imersão.
Agora, a fim de que procedamos com justiça, é preciso informar aos leitores deste blog que o Pr. Salovi, em carta endereçada ao Jornal Batista (Ano CVI – 3, Domingo, 15/1/06), dirige-se novamente aos leitores do semanário para externar sua concordância com o reparo que foi feito pelo Pr. Zaqueu:
Cremos que os bons artigos de Pr. Zaqueu Moreira de Oliveira têm servido grandemente para lançar luz sobre aquele momento histórico, e que este reparo foi muito oportuno. E cremos, também, que este honrado reconhecimento do Pr. Salovi deve ser merecedor de grande apreço, não somente pelo conteúdo que endossa, mas sobretudo pelo valor cristão que representa em si mesmo.Fiquei também feliz pelos artigos publicados (...) pelo dr. Zaqueu sobre os Batistas Gerais e os Batistas Particulares, nas edições de 1/10/05 e 04/12/05, respectivamente.
O pr. Zaqueu fez quatro reparos muito importantes, e que desejo comentar, aprofundando alguns aspectos:
1- Faz, com razão, reparos à declaração que fiz no artigo “Os Começos”, edição nº 39 de 26/9/05, de que John Smyth “se convenceu de que o batismo bíblico era por imersão”, portanto seu batismo e dos seus companheiros teriam sido por imersão, como declarei em várias oportunidades no referido artigo. O que na verdade aconteceu, foi que John Smyth se convenceu de que “uma igreja bíblica deve compor-se só de pessoas regeneradas que tenham sido batizadas após profissão de fé”.
O ponto importante da posição assumida por Smyth era de que uma igreja bíblica, para ser conforme os ensinos dos apóstolos, precisava ser composta só de pessoas regeneradas, que confessam sua fé em Jesus Cristo e são batizadas mediante profissão de fé e, por conseqüência, rejeitam o batismo infantil, por não atender ao requerimento bíblico da confissão de fé que era praticado pelas igrejas estatais e pelas igrejas separadas, ou independentes.
A questão da forma do batismo ser por imersão ou não, só vai ser definida e adotada, mais tarde, por volta de 1642, como resultado das discussões que se aprofundaram na busca do padrão da igreja bíblica, portanto, neotestamentária, como declaro no artigo em causa, no parágrafo sobre os Batistas Particulares.
A exposição sobre o batismo por imersão que o pr. Zaqueu faz, repõe a questão histórica no seu devido lugar.
Leia a postagem anterior: Os Primeiros Batistas Gerais Ingleses praticaram o batismo por imersão?
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12 Janeiro 2006
Lei e Evangelho (II)
A LEI DE DEUS
1. Deus outorgou a Adão uma lei de obediência, que lhe inscreveu no coração; e também um preceito particular, o de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Dessa maneira, Adão e toda sua posteridade ficaram compelidos a uma obediência pessoal, total, exata e perpétua, à lei. Deus prometeu vida como recompensa do cumprimento, e morte como castigo da quebra da lei, tendo dado ao homem o poder e a habilidade para guardá-la.
2. A mesma lei que uma vez foi inscrita no coração humano continuou a ser uma regra perfeita de justiça após a queda. E essa lei foi dada por Deus sobre o monte Sinai e inscrita em duas tábuas de pedra, na forma de dez mandamentos. Os quatro primeiros mandamentos contêm nossos deveres para com Deus, e, os outros seis mandamentos, nossos deveres para com os homens.
3. Além desta lei, comumente chamada de lei moral, Deus houve por bem dar leis cerimoniais ao povo de Israel, contendo diversas ordenanças simbólicas: em parte, de adoração, prefigurando Cristo, as suas graças, suas ações, seus sofrimentos, e os benefícios que conferiu; e, em parte, estabelecendo várias instruções de deveres morais.
As leis cerimoniais foram instituídas com vigência temporária, pois mais tarde seriam ab-rogadas por Jesus, o Messias e único Legislador, que, vindo no poder do Pai, cumpriu e revogou essas leis.
4. Deus também deu diversas leis judiciais ao povo de Israel, que expiraram juntamente com o antigo Estado de Israel e agora não possuem caráter obrigatório; são válidas, no entanto, como um padrão moral de equidade coletiva.
5. Para sempre a lei moral requer obediência de todos, tanto de pessoas justificadas quanto das demais. E isto não apenas por causa do assunto de que trata essa lei, mas, também, por causa da autoridade de Deus, o Criador, que a impôs. No evangelho, Cristo de modo nenhum dissolve a lei, antes confirma a sua obrigatoriedade.
6. Embora os verdadeiros crentes não estejam debaixo da lei (como num pacto de obras), para serem justificados ou condenados por ela, mesmo assim a lei é de grande utilidade para eles, bem como para outras pessoas. Isso porque a lei, como uma regra de vida, lhes informa da vontade de Deus e do dever que lhes cabe, dirigindo e constrangendo-os a caminhar segundo esse dever. A lei também descobre as contaminações pecaminosas da natureza humana, dos corações e das vidas, para que eles, examinando-se na lei, possam vir a ter uma maior convicção, humilhação e ódio pelo pecado, além de uma visão mais clara de sua necessidade de Cristo e da perfeição da obediência de Cristo.
Da mesma forma, a lei é útil para restringir as corrupções dos regenerados, pois proíbe o pecado. As ameaças da lei servem para mostrar o que os pecados deles merecem, e com que aflições eles podem contar nesta vida, se pecam, mesmo depois de libertados da maldição e do rigor intransigente da lei.
Igualmente, as promessas da lei demonstram a aprovação de Deus à obediência e quais bênçãos os homens podem esperar receber se cumprirem a lei, embora essas bênçãos não lhes sejam devidas por encargo da lei, como seria num pacto de obras. Por conseguinte, se um homem faz o bem e se refreia do mal (porque a lei encoraja a uma coisa e o dissuade da outra), isso não é evidência de ele estar debaixo da lei e não debaixo da graça.
7. Os usos da lei, acima mencionados, não são contrários à graça do evangelho; antes, concordam docemente com ela, à medida em que o Espírito de Cristo conquista a vontade do homem e o capacita a fazer, espontânea e alegremente, aquilo que a vontade de Deus, revelada na lei, requer que seja feito.
O EVANGELHO E A EXTENSÃO DE SUA GRAÇA
1. O pacto das obras foi quebrado pelo pecado e se tornou inútil para conduzir à vida. Mas Deus foi servido prometer Cristo, o descendente de mulher, como o meio de chamar os eleitos e gerar neles fé e o arrependimento. Nesta promessa, a essência do evangelho foi revelada, o que tornou-a eficaz para a conversão e salvação de pecadores.
2.Esta promessa, referente a Cristo e à salvação através dEle, somente é revelada pela Palavra de Deus. As obras da criação ou da providência, bem como a luz da natureza, não fazem mais do que uma apresentação genérica e obscura de Cristo e da graça através dEle; muito menos do que o necessário para que os homens destituídos da revelação de Cristo pudessem alcançar fé salvadora ou arrependimento.
3. A revelação do evangelho a pecadores - para nações e indivíduos a quem tem sido feita, muitas vezes e de muitas maneiras, com adição de promessas e preceitos de obediência - é devida unicamente à vontade soberana e ao beneplácito de Deus.
A revelação do evangelho não está ligada (em virtude de alguma promessa) ao devido bom uso das habilidades humanas à luz da revelação comum, recebida sem o evangelho, porque ninguém jamais conseguiu, nem poderá conseguir tal coisa. Conseqüentemente, em todas as eras, a pregação do evangelho tem sido feita em grande variedade de extensão ou limitação, a indivíduos e a nações, de acordo com o conselho da vontade de Deus.
4. O evangelho é o único meio externo de revelação de Cristo e da graça salvadora, e, como tal, é abundantemente suficiente para isso. No entanto, para que homens que estão mortos em transgressões possam nascer de novo, ser vivificados ou regenerados, faz-se necessária, também, uma obra efetiva e insuperável do Espírito Santo, em cada parte da alma, para produzir neles uma nova vida espiritual. Sem esta obra do Espírito Santo não há outros meios de produzir a conversão a Deus.
Em relação à Confissão de Fé Batista de 1689, clique aqui para versão completa para impressão, com referências bíblicas, sem transcrição de textos de prova (formato PDF, 31 páginas), e clique aqui para versão completa para impressão, com transcrição de textos de prova (formato PDF, 88 páginas).
Lei e Evangelho (I)
Na obra O Peregrino, de John Bunyan, Cristão chega à casa de Intérprete, o qual lhe transmite preciosos ensinamentos. Intérprete...
No último século, ganhou prestígio no meio evangélico um sistema de interpretação das Escrituras Sagradas cuja chave hermenêutica se manifesta, entre outra áreas, na forma de articulação entre a Lei e Evangelho. E a tendência neste sistema não é apenas distinguir, mas contrapor essas realidades em lados acentuadamente opostos.tomou-o pela mão e o conduziu a uma sala muito grande que estava cheia de poeira, porque nunca erra varrida; e, depois de ser vista por um pouco, Intérprete chamou um homem para varrê-la. Ora, quando ele começou a varrer, o pó voava tão espesso em derredor, que Cristão quase ficou sufocado. Então, disse Intérprete a uma moça que estava de prontidão: Traga água e borrife a sala. Havendo ela feito isto, a sala foi varrida e limpa prazerosamente.
Cristão perguntou: O que significa isto?
Intérprete respondeu: Esta sala é o coração de um homem que nunca foi santificado pela doce graça do Evangelho. O pó é seu pecado original e as corrupções interiores que contaminaram todo o homem. Aquele que começou a varrer é a Lei; mas aquela que trouxe água e a espargiu é o Evangelho. Ora, logo que o primeiro começou a varrer, a poeira se levantou em redor; a sala não pôde ser limpada por ele, e você ficou quase sufocado. Isso lhe mostra que a Lei, em vez de limpar do coração o pecado (pela maneira com ela age), revive-o, fortalece-o e aumenta-o na alma, ao mesmo tempo que o revela e proíbe, porque não concede o poder de reprimi-lo.
Pó outro lado, assim como você viu a moça borrifar a sala com água, e, deste modo, a limpeza foi realizada com prazer, isso lhe mostra que o Evangelho, ao entrar no coração, exerce suas doces e preciosas influências. Então, digo-lhe que, assim como você viu a moça fazer o pó assentar-se, borrifando o chão com água, assim também o pecado é vencido e subjugado, e a alma torna-se limpa, pela fé descrita no Evangelho; conseqüentemente, a sala fica em condições para o Rei da Glória habitar.
O Intérprete nos ensina que é realmente necessário estabelecer a distinção entre Lei e Evangelho. E esta distinção precisa ser mantida sob o risco de que se comprometa a ambos. A salvação não se encontra na Lei, mas no Evangelho. Lei e Evangelho cumprem papéis diferentes. Mas não são opostos! Não estão em contradição; os trabalhos que realizam manifestam coordenação. Conquanto cumpram finalidades diferentes, ambos vêm do mesmo Deus, e estão a serviço dEle. Convém-nos apresentar ambos a todos os homens. Eles não se contrapõem. E, nessa ordem colocada por Deus, anunciamos a Lei e, então, o Evangelho. Primeiro ferir; depois curar. Primeiro o vinagre; depois o azeite. Anunciamos o dever, e então a graça – aliás, é bom apressar-me e dizer que a própria Lei já se constitui numa expressão de graça. Primeiro anuncia-se ao homem a vontade moral de Deus. E, então, a Lei cumpre um de seus papéis mais importantes, conforme nos ensina Paulo aos Romanos e aos Gálatas: a boa Lei de Deus revela o nosso pecado, nossa insuficiência, nossa incapacidade, nossa natureza pecaminosa, nossa condenação, nossa maldição, nossa morte. E, ao fazer isto, ela deixa de ser boa? Posso culpar o espelho pelo que ele me revela? Como alguém sentir-se-á pecador se não houver o anúncio do padrão que Deus espera? O pecado pressupõe que exista uma Lei em vigor, porque onde não há Lei também não há transgressão (Rm 4.15).
"porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado" (Romanos 3.20).
"Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão" (Romanos 4.15).
"Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta" (Romanos 5.13).
"Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Romanos 7.7).
"Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3.10).
"De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados" (Gálatas 3.24).
A Lei serve ao Evangelho, embora seja distinta dele. A Lei, com o Evangelho, enaltece a graça! A Lei, porém, não salva; condena. A salvação encontra-se por meio do Evangelho.
"sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada" (Gálatas 2.16).
Talvez alguém diga que o padrão moral é Cristo. Há acerto nisto. Porém, qual foi o padrão de Cristo para satisfazer a justiça de Deus? Tentar reger-nos pela Lei, sem Cristo, é uma das expressões do "legalismo", ou outro nome que se prefira dar. O Senhor Jesus Cristo nos salvou da condenação da Lei; não nos salvou, entretanto, para uma não observância da Lei moral. Alguns estabelecem equivocadamente uma contraposição entre a Lei e a Palavra; Deus, porém, não a faz. Outros fazem uma distinção entre uma vida espiritual e a Lei. "Porque bem sabemos que a Lei é espiritual" (Romanos 7.14). A "Lei do Espírito" é a mesma "Lei do Senhor". E os que andam no Espírito, andam na Lei do Senhor. Os que são do Senhor, amam a sua Lei, e a têm inscrita no seu coração.
"Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Hebreus 8.10)
A posição que diz que o crente não tem qualquer compromisso com a Lei Moral de Deus chama-se antinomismo – palavra composta e de origem grega: anti (contra) + nomos (lei). Normalmente, é a posição apelidada popularmente de "graça barata", não tão rara no meio evangélico. Nos dias apostólicos, já recebiam severa condenação aqueles que convertiam em "libertinagem a graça de nosso Deus" (Judas 4).
No século XX, muita confusão estabeleceu-no no cenário evangélico com relação a este assunto. E o resultado para a evangelização e a Igreja tem sido muito nefasto, ao ponto de alguns colocarem que é possível ter a Cristo como Salvador sem tê-lo como Senhor. "Permaneceremos no pecado para que a graça abunde? De modo nenhum!" Fomos salvos para sermos zelosos de boas obras. Outros, assentaram uma doutrina, bastante popular no Brasil, em que a justificação e a santificação foram desconectadas. Colhemos hoje os frutos amargos dessa semeadura. O crente, porém, é encorajado pelas verdades e promessas do Evangelho; é estimulado pelas motivações do Evangelho e inclinado pelo Espírito Santo a desejar prosseguir na santificação.
Para uma leitura nesta área, recomendo, aos que puderem ler em inglês, o livro Law and the Gospel, de Ernest C. Reisinger, P & R Publishing, ISBN#: 0875523870.
