Montano: Um Antepassado Batista?
O denominado "Sucessionismo Batista", como já tenho escrito, crê que tem havido uma ininterrupta sucessão histórica de verdadeiras igrejas, e que as genuínas igrejas batistas da atualidade são as legítimas herdeiras desta linha sucessória que remonta aos dias de Cristo. O nome destas igrejas pode variar através dos anos, porém, a marca da apostolicidade destas igrejas residiria, principalmente, na doutrina do batismo, e na esfera do governo da Igreja, especialmente numa rejeição da romana hierarquia episcopal e prelatícia. O foco do Sucessionsimo, portanto, é colocado na eclesiologia. No Brasil, um web-site que defende o sucessionismo é http://www.solascriptura-tt.org/EclesiologiaEBatistas/
Por vezes, entretanto, o sucessionismo coloca-nos algumas situações curiosas. Quero citar aqui apenas uma delas:
Gilberto Stefano, por exemplo, em seu livro A Origem das Igrejas Cristãs, procura responder à seguinte questão: "Onde e quando surgiu o apelido anabatista?". E responde:
Este apelido foi usado pela primeira vez na Ásia Menor para distinguir nesta região as igrejas fiéis das erradas. O local mais aceito como sua origem é na Frígia, local de onde saiu o pastor Montano para pregar contra os dois erros mencionados no segundo capítulo, os quais, corrompiam as igrejas cristãs. Montano foi um pastor muito itinerante, e por isso sua mensagem se esparramou por toda Ásia Menor, fazendo que as igrejas dessa região permanecessem fiéis a doutrina recebida pelos apóstolos. Montano viveu cerca de 156 A.D. Foi justamente nessa época que as igrejas da Ásia Menor resolveram rebatizar membros vindos de igrejas erradas. Então pela primeira vez uma igreja foi conhecida como "anabatista". (cf: http://geocities.yahoo.com.br/batistacatanduva/stefanohist03.html)
Em seu outro livro, A Origem dos BATISTAS, dos Católicos, dos Protestantes e dos Pentecostais, o autor diz (ou reafirma), entre outras coisas:
Montano, que surgiu na segunda metade do século II não aparece com um inovador em questões de fé (...) as igrejas irregulares logo reagiram contra esse movimento (...) As igrejas irregulares tinham verdadeiro ódio dos montanistas. O próprio Montano é visto como um arqui-hereje da Igreja. Muitos historiadores eclesiásticos inventam e condenam o movimento chamando-o de pagão e anticristão (Imprensa Palavra Prudente, p. 49).
Porém em outro livro lançado pela mesma publicadora, cujo título é Uma Igreja Batista deve Abraçar o Pentecostalismo? Como Deus fala Hoje?, de autoria de Laurence A. Justice, pode-se ler o seguinte:
As igrejas, no segundo século, rejeitaram o Montanismo com todas as suas reivindicações de dons de profecia, de falar em línguas e suas mulheres pregadoras. Nenhum de nossos antepassados Batistas, desde o tempo de Cristo até o presente momento reivindicou dons extraordinários. A Reforma Protestante de 1500 foi uma das maiores manifestações do Cristianismo em toda a história e nenhum dos reformadores exercitou ou reivindicou dons extraordinários. Nenhum deles curou, operou milagres e orou em línguas. Na metade do século XVII tiveram um grande problema e rejeitaram os Quakers, que eram uma manifestação do Pentecostalismo por reivindicarem uma revelação direta de Deus através da chamada "luz interior" existente em todo homem. (Imprensa Palavra Prudente, p. 12, grifo meu).
Isto não é um fato bastante curioso? Quando o foco é colocado na eclesiologia, Montano é chamado de um cristão fiel, e as igrejas "protestantes" de irregulares, infiéis ou apóstatas. E quando o foco se dirige para as doutrinas centrais da teologia, soteriologia e pneumatologia, Montano foi um hereje e a Reforma Protestante foi "uma das maiores manifestações do Cristianismo em toda a história". Com quem, afinal, os batistas têm mais em comum? Com Montano ou com os reformadores? Montano seria um antepassado dos atuais batistas? O batismo por imersão e a rejeição da hierarquia romana qualificam-se como os distintivos cabais de uma igreja apostólica?

1 Comentários:
Caro pastor:
Concordo plenamente.O chamado "Sucessionismo Batista" apesar de querer usar a história da Igreja cristã para defender seu ponto de vista, na verdade abusa e manipula fatos históricos. Livros como "Rastro de Sangue, entre outros, defende e coloca como martires e líderes do cristianismo não só Montano, mas todo tipo de herege que surgiu ao longo da história.
Aceitar grupos e lideres heréticos como verdadeiros batistas pelo simples fato de terem batizados seus seguidores por imersão é incoerente. É desconhecer a historia da Igreja Cristã.
aldovasconcelos@hotmail.com
membro da Igreja Batista Reformada de Petrolandia-PE
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